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O que é estratégia, dos clássicos ao escritório, e como o Direitivo ajuda a formulá-la

De Sun Tzu a Porter, de Kaplan e Norton a Rumelt, a estratégia sempre foi a arte de escolher o caminho até um objetivo e de renunciar aos outros. No escritório de advocacia ela vai muito além do processo: serve ao conflito, ao acordo, ao parecer, ao negócio do cliente e ao próprio escritório. Este texto percorre os conceitos e mostra como o Direitivo ajuda a formular, comparar e decidir.

Por José dos Reis G. Rodrigues, OAB/MG 240.179 16 min de leitura

reis@direitivo.com.br (31) 99363-3112

Ilustração em aquarela roxa e lilás de um cavalo de xadrez de madeira ao lado do rei, sobre papel creme com manchas lilás nos cantos.

Quase tudo o que um escritório de advocacia faz começa com uma pergunta que raramente se escreve: qual é o melhor caminho daqui até lá? O cliente quer encerrar um conflito, fechar um negócio, proteger um patrimônio, crescer sem tropeçar. O próprio escritório quer abrir uma área de atuação, conquistar um tipo de cliente, organizar a equipe. Em todos esses casos há um objetivo, um terreno, alguém ou alguma coisa do outro lado, recursos que não são infinitos e mais de um caminho possível. Escolher entre eles é fazer estratégia.

A palavra vem do grego strategós, o general, aquele que conduz o exército. Por isso a história da estratégia começa na guerra. Mas ela não ficou lá: passou à política, à economia, à administração das empresas e, hoje, à vida de qualquer organização que precise decidir sob incerteza. Antes de falar de como o Direitivo ajuda a formular uma estratégia, vale percorrer o que os grandes pensadores do assunto ensinaram, porque é desse acervo que vêm as perguntas certas.

O que os clássicos ensinaram

Há cerca de dois mil e quinhentos anos, Sun Tzu escreveu A Arte da Guerra, talvez o texto de estratégia mais lido de todos os tempos. Duas das suas ideias atravessaram os séculos. A primeira é a do conhecimento: quem conhece o adversário e conhece a si mesmo não corre perigo em cem batalhas; quem conhece só a si mesmo ganha umas e perde outras; quem não conhece nem um nem outro perde todas. A segunda é a mais surpreendente para um tratado de guerra: a habilidade suprema não é vencer cem batalhas, mas subjugar o adversário sem lutar. Para quem advoga, a lição é direta. A melhor estratégia muitas vezes é a que resolve o problema sem chegar ao litígio, e nenhuma estratégia presta sem um diagnóstico honesto da própria posição e da posição do outro lado.

Quase dois mil anos depois, Nicolau Maquiavel escreveu O Príncipe para ensinar a conquistar e manter o poder num mundo instável. No capítulo XXV ele propõe uma imagem que qualquer gestor reconhece: a fortuna, o acaso, é árbitro de metade das nossas ações, mas deixa a outra metade ao nosso governo. Ela é como um rio que transborda e arrasta tudo; não se pode impedir a cheia, mas quem constrói diques e barragens no tempo calmo limita o estrago. A virtù de Maquiavel é essa capacidade de ler o momento e se preparar para ele. Estratégia, nessa chave, é também previsão de risco e preparo da resposta.

No século XIX, Carl von Clausewitz, em Da Guerra, deu nome a algo que todo plano encontra: a fricção. No papel tudo é simples; na execução, mil pequenos atritos, imprevistos e informações incompletas fazem o plano escorregar. Para Clausewitz, a estratégia liga os meios aos fins, e não pode ser concebida sem considerar que a realidade vai resistir. O plano que não prevê a fricção é um desejo, não uma estratégia.

Da guerra para as organizações

No século XX a estratégia chegou às empresas. Alfred Chandler, em Strategy and Structure (1962), a definiu como a determinação dos objetivos de longo prazo de uma organização, a escolha dos cursos de ação e a alocação dos recursos necessários para alcançá-los. A definição parece simples, mas fixa três elementos que nunca mais saíram de cena: objetivo, caminho e recursos.

Michael Porter, professor de Harvard, deu ao tema a forma que a maioria dos executivos conhece. Em Estratégia Competitiva (1980) e Vantagem Competitiva (1985), mostrou que o desempenho de uma empresa depende das forças do ambiente em que ela atua e da posição que ela escolhe ocupar. Em 1996, no artigo "What is Strategy?", publicado na Harvard Business Review, foi além e separou estratégia de eficiência operacional: fazer melhor o mesmo que todos fazem não é estratégia. Estratégia é escolher uma posição própria e aceitar as renúncias que ela impõe. A essência da estratégia, escreveu ele, é escolher o que não fazer. Poucas lições são tão úteis para um advogado: a tese que fica de fora, o pedido que não se faz, o cliente que não se aceita, a área em que o escritório decide não atuar.

Gary Hamel e C. K. Prahalad olharam para o outro lado da moeda. Em "Strategic Intent" (1989) e "The Core Competence of the Corporation" (1990), ambos na Harvard Business Review, e no livro Competindo pelo Futuro (1994), defenderam que as organizações que vencem não se limitam a ajustar a posição ao ambiente: elas fixam uma intenção estratégica ambiciosa, muitas vezes maior do que os recursos do momento, e constroem as competências essenciais que as levam até lá. Para um escritório, a pergunta deixa de ser só "como ganho este caso" e passa a ser também "em que somos realmente bons, e o que precisamos aprender para o futuro que queremos".

Henry Mintzberg, por sua vez, lembrou que a estratégia nem sempre nasce de um plano. No artigo dos cinco Ps (1987), mostrou que ela pode ser plano, manobra, padrão, posição ou perspectiva, e, com James Waters, distinguiu a estratégia deliberada, a que se planeja, da emergente, a que se forma aos poucos, a partir do que dá certo na prática. Em Safári de Estratégia (1998), com Bruce Ahlstrand e Joseph Lampel, percorreu as várias escolas do pensamento estratégico e concluiu que cada uma enxerga uma parte do animal. A consequência prática é importante: a estratégia precisa ser registrada, mas também revista, porque o terreno muda.

Robert Kaplan e David Norton resolveram um problema que atormentava as empresas: a estratégia era bem escrita e mal executada. Com o Balanced Scorecard, apresentado na Harvard Business Review em 1992 e desenvolvido em A Estratégia em Ação (1996), propuseram acompanhar a organização por quatro perspectivas equilibradas: a financeira, a do cliente, a dos processos internos e a do aprendizado e crescimento. Em Mapas Estratégicos (2004), deram um passo decisivo: desenhar a estratégia como uma cadeia de causa e efeito, em que cada objetivo sustenta o seguinte. Uma estratégia que se pode ver em um mapa é uma estratégia que se pode explicar, discutir e medir.

Também no campo da negociação, tão próximo do dia a dia jurídico, há um clássico indispensável. Roger Fisher e William Ury, em Como Chegar ao Sim (1981), mostraram que a força de quem negocia está na sua melhor alternativa a um acordo negociado. Quem sabe o que fará se a conversa falhar negocia melhor, aceita o que vale a pena e recusa o que não vale. Comparar o acordo possível com o caminho alternativo é, em si, um exercício de estratégia.

Os contemporâneos

O pensamento estratégico continuou se renovando. Richard Rumelt, em Estratégia Boa, Estratégia Ruim (2011), denunciou o que chamou de má estratégia: metas confundidas com estratégia, frases de efeito no lugar de escolhas, listas de desejos sem plano. Para ele, toda boa estratégia tem um núcleo de três partes: um diagnóstico que explica o que está acontecendo e o que realmente importa, uma política orientadora que diz como enfrentar o desafio, e um conjunto de ações coerentes entre si que põem a política em prática.

W. Chan Kim e Renée Mauborgne, em A Estratégia do Oceano Azul (2005), propuseram sair da disputa sangrenta pelos mesmos clientes, o oceano vermelho, e criar espaços em que a competição perde a importância, porque se oferece algo que ninguém oferecia. A. G. Lafley e Roger Martin, em Jogar para Vencer (2013), descreveram a estratégia como uma cascata de escolhas encadeadas: qual é a aspiração, onde jogar, como vencer, que capacidades são necessárias e que sistemas de gestão as sustentam. E Rita McGrath, em O Fim da Vantagem Competitiva (2013), mostrou que as vantagens se tornaram transitórias: em vez de defender uma posição por décadas, as organizações precisam saber entrar e sair de oportunidades com rapidez, revendo a estratégia como rotina.

Postas lado a lado, essas visões não se contradizem; elas se completam. Toda boa estratégia parte de um objetivo claro e de um diagnóstico honesto do terreno, de quem está do outro lado e dos próprios recursos. Considera mais de um caminho. Escolhe, e ao escolher renuncia. Organiza ações coerentes, prevê o atrito e prepara a resposta ao imprevisto. Mede o que importa. E é revista quando o mundo muda. Nenhuma dessas exigências é exclusiva da guerra, da empresa ou do tribunal.

A estratégia no escritório de advocacia

No meio jurídico, a palavra estratégia costuma ser associada à condução de um processo: que teses sustentar, que provas produzir, que recurso interpor. Esse é um uso legítimo, mas é só uma parte do todo. A advocacia faz estratégia o tempo inteiro, e na maior parte das vezes longe de qualquer tribunal.

Há a estratégia do conflito, que pode passar pelo Judiciário, mas pode e muitas vezes deve evitá-lo: a negociação, a mediação, a notificação bem escrita, o acordo que preserva a relação. Há a estratégia consultiva, que não lida com conflito nenhum: o contrato que previne a disputa, o parecer que orienta uma decisão, o programa de conformidade, o planejamento sucessório ou tributário. Há a estratégia do negócio do cliente, em que o advogado ajuda a pensar a expansão, a parceria, a proteção da marca, a entrada num mercado novo. E há a estratégia do próprio escritório: em que áreas atuar, que clientes buscar, como se apresentar ao mercado dentro das regras de publicidade da advocacia, como organizar a equipe e o caixa.

Dividir tudo isso entre "judicial" e "extrajudicial" seria reduzir demais. Uma mesma situação pode pedir, ao mesmo tempo, um caminho jurídico, um caminho de negócio e um caminho de comunicação, e o melhor resultado costuma vir da combinação certa entre eles. É por isso que, no Direitivo, a estratégia é um instrumento próprio, com lugar próprio no Painel, e não um apêndice do processo. O processo, quando existe, é apenas uma das fontes do raciocínio e um dos destinos possíveis. Muitas vezes, como ensinava Sun Tzu, a melhor estratégia é justamente a que nunca precisa dele.

Como o Direitivo ajuda a formular a estratégia

Para mostrar o caminho, vale acompanhar um caso inventado, de propósito longe do contencioso. Uma cliente tem uma confeitaria conhecida na cidade e quer transformá-la numa rede de franquias. O nome é o maior ativo do negócio, e uma empresa de outro estado usa um nome parecido no mesmo ramo. Uma consultoria de expansão já mandou uma proposta. O que fazer, e em que ordem?

Começar pelo objetivo e pelo destino

Toda estratégia no Direitivo começa por um cadastro curto, que obriga a pensar antes de agir: qual é a situação, o que a cliente precisa, o que seria vitória, o que é inegociável, para quem é o trabalho e para onde ele se destina. No exemplo, o objetivo é lançar a rede com a marca protegida e o caixa equilibrado, e o inegociável é não perder o nome que os clientes já conhecem. O destino é um parecer para a cliente, mas poderia ser uma proposta, uma tentativa de acordo, uma notificação, uma peça processual ou outro destino descrito com as próprias palavras. Dizer logo no começo aonde se quer chegar é a primeira lição de Chandler e a primeira exigência de Rumelt: sem objetivo claro, não há diagnóstico que se sustente.

Tela do Direitivo com o cadastro de uma estratégia inventada, o lançamento de uma rede de franquias, com a situação, os objetivos e o destino escolhido entre vários possíveis.
Caso inventado. A estratégia começa pelo objetivo, pelo que é inegociável e pelo destino, que pode ser um parecer, uma proposta, um acordo ou qualquer outro.

Conhecer o terreno, e ler antes de confiar

O diagnóstico depende do material. A estratégia reúne o que o escritório já tem: o relato da reunião com a cliente, digitado ou colado; documentos em PDF, como a busca de marcas parecidas e a proposta da consultoria; peças e decisões de um processo, quando houver um; e o endereço da pasta da cliente na nuvem. Cada material pode ser anonimizado, de modo que a Diva trabalhe com pessoas trocadas por papéis e com documentos e números identificadores retirados, enquanto o original fica guardado só para o escritório.

Conhecer o terreno, como queria Sun Tzu, inclui desconfiar do que vem do outro lado. Um documento de terceiros pode trazer, escondido, um texto dirigido a quem o lê como máquina: uma linha em letra branca, uma frase em fonte minúscula, caracteres invisíveis. Para quem lê na tela, nada aparece; para uma assistente desatenta, aquilo pode soar como ordem. Ao lado do anonimizar, cada material tem um segundo cuidado, marcado por um escudo, que procura essas instruções escondidas e mostra o que achou, trecho por trecho, com o motivo em linguagem simples. Nada do que for achado é obedecido. No exemplo, a proposta da consultoria trazia, em letra branca no fim de uma página, um pedido para recomendar a contratação sem ressalvas. O advogado vê, decide o que fazer e pode seguir com uma versão limpa do texto.

Ilustração em aquarela de uma lupa de latão sobre papel creme, com manchas roxas e lilás.
Conhecer o terreno inclui saber o que um documento traz e a tela não mostra.
Tela do Direitivo com a verificação da proposta de uma consultoria, no caso inventado: o selo Instrução escondida e os trechos apontados, um deles em letra branca, pedindo para recomendar a contrataçã
Caso inventado. A verificação aponta o trecho, explica o motivo e oferece a versão limpa.

O diagnóstico e as possibilidades

Com o material reunido, o advogado pede à Diva que formule. O que volta é um relatório estratégico em prosa, organizado como um bom conselheiro organizaria uma conversa: o caso resumido em uma página; os pontos que decidem o resultado e o que ainda falta saber; as possibilidades, cada uma com as vantagens, os riscos e o modo de reduzi-los, e o passo a passo para executá-la; uma recomendação, com o que faria mudar de ideia; e, à maneira de Porter, o que não fazer. É o núcleo de Rumelt posto por escrito: diagnóstico, política orientadora e ações coerentes.

No exemplo, as possibilidades não pertencem a uma única área. Registrar a marca e estruturar os contratos de franquia antes do lançamento é trabalho consultivo. Negociar a convivência com a empresa de nome parecido é um caminho de autocomposição, sem litígio. Lançar primeiro em duas cidades para validar o modelo é uma decisão de negócio. Trocar o nome resolveria o conflito, mas sacrificaria o que a cliente mais quer preservar. O relatório trata todas no mesmo plano, porque todas disputam o mesmo objetivo.

Tela do Direitivo com o relatório estratégico do caso inventado da rede de franquias, com as seções O caso em uma página e Os pontos que decidem.
Caso inventado. O relatório começa pelo que a cliente precisa e pelo que decide o caminho.

O mapa da estratégia

Kaplan e Norton mostraram o valor de ver a estratégia desenhada. Do mesmo relatório nasce um mapa, com o objetivo no centro, as estratégias em volta e, em cada uma, os elementos que a sustentam ou a ameaçam. Cada estratégia pertence a uma área (judicial, extrajudicial, consultiva, negócios, marketing e comunicação, gestão, ou outra que se acrescente à lista), e cada área oferece os elementos que fazem sentido para ela. Numa estratégia jurídica cabem teses e provas; numa de negócio, hipóteses a testar, indicadores de sucesso, recursos e público. Ninguém precisa chamar uma meta de faturamento de "tese" para conseguir registrá-la.

O mapa é editável: o advogado acrescenta o que faltou, descarta o que não serve e reorganiza como achar melhor. Como lembra Mintzberg, a estratégia também emerge da prática, e o mapa acompanha essa evolução, com as versões guardadas. A estratégia descartada fica esmaecida, e não some, porque o motivo de ter sido descartada também é estratégia. O mapa pode ser exportado como imagem, PDF ou texto, sempre marcado como documento de trabalho, e compartilhado com a equipe por um endereço que abre só para quem já tem acesso.

Ilustração em aquarela de uma bússola de bolso antiga, de latão, sobre papel creme com manchas roxas.
Um mapa não escolhe o destino. Mostra os caminhos para quem vai escolher.

Comparar, combinar e escolher

Com mais de um caminho na mesa, a pergunta passa a ser qual seguir, e com qual outro combiná-lo. Junto com o relatório, a Diva entrega uma avaliação de cada estratégia, numa escala de 0 a 100, com os critérios à vista e uma frase de porquê em cada nota. O trabalho do advogado deixa de ser pedir análise após análise e passa a ser ler um resumo comparativo pronto, discordar quando for o caso e decidir.

A avaliação também diz o que combina e o que se exclui. No exemplo, registrar a marca combina com negociar a convivência, porque o pedido de registro fortalece a posição na conversa, e combina com lançar em duas cidades, porque protege o teste. Já trocar o nome exclui a negociação, porque lhe tira o motivo. É a lição de Fisher e Ury aplicada a qualquer área: saber qual é a alternativa a cada caminho muda a forma de percorrê-lo. A escolha continua sendo do advogado, que pode seguir com uma estratégia ou com várias ao mesmo tempo. A tela diz isso com todas as letras: a análise indica; a escolha é sua.

Tela do Direitivo com o ranking de quatro estratégias do caso inventado, de áreas diferentes, consultiva, extrajudicial e negócios, com notas de 0 a 100, as combinações entre elas e a leitura da Diva
Caso inventado. Estratégias de áreas diferentes, comparadas no mesmo plano, com o que combina e o que se exclui.

Do plano à ação

Escolhido o caminho, o Direitivo transforma a escolha numa diretriz para o destino declarado no começo: o que produzir e em que direção, com os elementos da estratégia escolhida organizados para quem vai redigir. No exemplo, quem escrever o parecer à cliente parte da diretriz, com a ordem das ações e os riscos de cada uma, e não de uma folha em branco. Se o destino fosse uma proposta, uma notificação ou um plano de comunicação, a lógica seria a mesma. Se um dia houver um processo, a estratégia pode ser ligada a ele, como uma saída opcional, e nunca como o ponto de chegada natural.

Há um ganho que só aparece com o tempo. Tudo o que foi decidido fica registrado: o objetivo, o diagnóstico, os caminhos considerados, os descartados e o motivo da escolha. Quem assume o caso no meio do caminho encontra o porquê de cada decisão, e quem volta a ele seis meses depois não depende da memória. A estratégia deixa de ser um momento e passa a ser um instrumento de gestão.

O que continua com o advogado

Algumas coisas não mudam, e é bom que não mudem. A estratégia é documento de trabalho do escritório: o cliente não a vê pelas telas do Direitivo, e o que vem de processo em segredo de justiça leva o segredo junto. A Diva indica e o advogado decide: tudo o que ela propõe chega como rascunho, para aceitar, editar ou descartar. Ela não promete resultado, marca para conferência a citação que não achou no material e não cria número sem base. E a palavra final, a revisão e a responsabilidade continuam onde sempre estiveram.

Para fechar

Dos generais da antiguidade aos professores de Harvard, a estratégia sempre foi a mesma disciplina: saber aonde se quer chegar, entender o terreno e quem está do outro lado, considerar os caminhos, escolher, renunciar e agir com coerência, revendo o plano quando o mundo muda. Nenhuma dessas exigências pertence só ao tribunal. Elas valem para o conflito e para o acordo, para o contrato e para o parecer, para o negócio do cliente e para o futuro do próprio escritório.

O Direitivo foi desenhado para dar a essa disciplina um lugar, uma memória e um método, com a Diva ao lado para pensar junto e o advogado no comando das escolhas. E, se a estratégia for boa, muitas vezes o resultado será aquele que Sun Tzu considerava o mais alto de todos: vencer sem precisar lutar.

José dos Reis G. Rodrigues, OAB/MG 240.179

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Por José dos Reis G. Rodrigues, OAB/MG 240.179

Autoria do texto

Sou advogado (OAB/MG 240.179) e atuo em direito tributário, societário, empresarial, do consumidor e digital. Acredito que o direito precisa ser entendido por quem vive as consequências dele, e é assim que escrevo os artigos que publico aqui: explicando o que a lei diz, o que os tribunais têm decidido e o que isso muda na prática.

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